quinta-feira, 26 de março de 2015

Espécies invasoras: um grande problema


Já ouviram falar em espécies invasoras?


 
Estróbilos femininos de Pinus. As sementes dessa planta são aladas e se dispersam muito bem através do vento. Isso aumenta seu grau de invasão.


É um assunto que ultimamente está muito na moda na área das pesquisas ecológicas. Essas espécies são chamadas assim, pois são nativas em outras partes do mundo e acabam alcançando outras áreas, onde elas conseguem se estabelecer e se reproduzir. 
Mas alguns termos ainda estão sendo disseminados:
- Espécie exótica: Espécie encontrada em uma determinada região onde não é sua área de origem, geralmente ela não gera nenhum efeito (positivo ou negativo) no ecossistema que ela se estabelece. 
- Espécie nativa: Espécie encontrada em sua região de origem e por esse fato, está em equilíbrio com diversos fatores do ambiente em que vive (relações bióticas e abióticas) e por isso sua presença não altera o equilíbrio do ecossistema em questão.
- Espécie invasora: Espécie encontrada em uma região onde não é sua área de origem. Geralmente ela se dispersa, estabelece e se reproduz com muita facilidade e o aumento da densidade de indivíduos dessa espécie afeta o equilíbrio do ecossistema que é invadido. Na maioria das vezes seu efeito altera variáveis ambientais que podem excluir ou incluir algumas espécies na comunidade em questão.

Tudo bem, que ela invade locais. Mas qual o motivo de tanta atenção a esse tema?

Por dois motivos: Econômico e ecológico

No motivo econômico o problema é devido algumas espécies causarem prejuízos para as atividades humanas. Um exemplo é o mexilhão-dourado (Limnoperma fortunei), originário da Ásia. Já o motivo ecológico está relacionado com a extinção de espécie. Atualmente as espécies invasoras são o segundo maior motivo de perda de biodiversidade (extinções).

Quais são as principais espécies invasoras no mundo?
Mexilhão-dourado (Limnoperma fortunei)
Caracol-gigante-africano (Achatina fulica)
Brachiaria (Urochloa sp.)
Hydrilla verticillata
Pinus (Pinus sp.)


Mexilhão-dourado (Limnoperma fortunei) espécie que vem causando grande problema econômico para embarcações e hidroelétricas. Os indivíduos formam grandes aglomerados nas peças das turbinas e impossibilitam seu bom funcionamento. Na foto os mexilhões menores são os invasores, o maior é um mexilhão nativo que está quase extinto devido a ação do invasor.


Caracol-gigante-africano (Achatina fulica) Caracol encontrado em várias partes do Brasil. Originário da África veio trazido ao Brasil para servir de prato no escargot. Não acabou dando certo e foi liberado por produtores, causando a invasão






Brachiaria (Urochloa sp.) Gramínea africana utilizada para pecuária. Está em várias partes do país.










Hydrilla verticillata - É encontrada em vários ecossistemas lacustres do Brasil e sua presença vem causando problemas econômicos e ecológicos


Pinus - Espécie utilizada no Brasil para produção de madeira e celulose. Sua concentração está nos Campos Gerais - PR e sul de São Paulo. Sua dispersão é facilitada pela ação do vento e ela possui substancias nocivas a outras plantas que são depositadas nas folhas quando estão senescentes. 


Mas como elas conseguem invadir e influenciar negativamente um local?

Irei contar uma história de como espécies podem chegar a locais do outro lado do mundo e invadi-los. 
Atualmente com a globalização, muitas transações comerciais feitas em aviões ou em navios (principalmente), podem levar consigo alguns propágulos (qualquer forma de dispersão de alguma espécie na maioria das vezes são brotos ou sementes de plantas ou animais vivos que vão na embarcação). Outro problema é a compra de animais de estimação exóticos, como peixes e plantas aquáticas de aquários ou répteis, aves e mamíferos. Na maioria das vezes os seus donos acabam se "enjoando" de cuidar dos animais e os jogam em rios ou florestas. 
Quando essas espécies entram em contato com esse novo ambiente, precisarão enfrentar dois problemas: A resistência biótica e os fatores ambientais do local.

A resistência biótica é o conjunto de todas as interações que a espécie invasora poderá ter com a comunidade que ela estará invadindo. Essas interações são predação, herbivoria ou parasitismo. Se ela conseguir passar por isso (ou suportar), poderá se estabelecer no local. Mas ainda falta a outra parte. A segunda parte é a ambiental. Para haver sucesso no estabelecimento a espécie invasora, também deverá se adaptar aos fatores ambientais do local (temperatura, disponibilidade de recurso, precipitação, umidade, etc.).
Passado esses fatores a espécie invasora começará a utilizar recursos do ambiente. Essa utilização pode causar confrontos com espécies nativas que possuem o nicho similar (todo o papel ecológico que a espécie desempenha num lugar, como utilização de um determinado recurso ou horário de forrageamento). Ai que entra o problema. Elas estarão em constante competição. 
Geralmente a espécie invasora começa a causar seus efeitos negativos a partir desse momento. As espécies invasoras possuem capacidades mais eficientes na obtenção de recurso ou para habitarem um local. Como assim?
Para explicar melhor darei um exemplo:

A Hydrilla verticillata é uma macrófita submersa originária da Austrália e Ásia e chegou aos rios brasileiros em 2005. Ela é da família Hidrocharitaceae. No Brasil existe uma macrófita submersa nativa chamada Egeria najas. As duas são da mesma família e são muito similares. As diferenças entre elas são as vantagens que a invasora possui sobre a nativa. Uma dessas vantagens é a resistência que H. verticillata possui. As folhas e hastes da espécie invasora são mais resistentes do que da espécie nativa. Dessa forma a H. verticillata consegue habitar locais com uma correnteza maior. A E. najas não consegue por que se quebra muito fácil. Outra vantagem é a resistência para suportar grandes momentos de stress. A invasora quando está em um local onde sofre uma seca, sua capacidade de suportar esse distúrbio, através de suas raízes é bem maior do que a nativa. Dessa forma sua capacidade de estabelecer no local quando a água voltar é maior do que a nativa. Existem outros exemplos da eficiência da invasora sobre a nativa.

            



Egeria najas                                                                    Hydrilla verticillata


Após o estabelecimento dessa espécie invasora, se ela conseguir se reproduzir e aumentar a densidade de indivíduos, caracterizará uma invasão bem sucedida. A maioria das espécies não conseguem alcançar esse nível. Mas as que chegam causam grandes problemas.  

Qual a melhor forma de combater essas espécies?

Após a invasão é muito difícil conter a espécie. O que pode ser feito são trabalhos apenas para conter a densidade dos organismos (mas eles irão voltar). A melhor coisa a se fazer é prevenir que novas espécies cheguem a novos locais. Haver um trabalho conjunto entre sociedade, pesquisa e empresas para conter a "globalização" dessas espécies pelo mundo.
 



2 comentários:

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