Vocês já pensaram que o quanto e o quê consumimos, pode ser mensurado e transformado numa pegada? Sim! Uma pegada ecológica! É como se fosse o rastro de consumo que deixamos no mundo.
O resultado dessa métrica nada mais é do que a quantidade de hectáres necessários para produzir os recursos renováveis que cada pessoa utiliza para suportar seu estilo de vida (Em inglês, global hectar, sigla: gha). Essa métrica foi criada e é utilizada pela ONG Global Footprint Network. Mas quais são os critérios para se chegar nesse valor?
Bom, os cálculos são feitos em cima de recursos que são necessários para o estilo de vida da maioria das pessoas. Os recursos são: alimentação, moradia, bens, serviços, tabaco e transporte.
Ainda tá complicado de entender? kk. Pensem da seguinte forma, para produzir carne são necessários vários hectares de terra, enquanto que para se produzir hortaliças ou grãos a quantidade de terra é bem menor. Com isso, se você se alimenta muito de carne, sua pegada ecológica é maior do que a de um vegetariano, por exemplo (pensando só nesse recurso).
Atualmente existem vários sites que calculam para você a sua pegada ecológica. Por exemplo o site pegada ecológica http://www.pegadaecologica.org.br/2015/pegada.php, calcula sua pegada, a partir de perguntas sobre o seu uso dos recursos. A minha pegada ecológica está abaixo:
É gente, eu sei, tô usando mais do que eu devia :/
A resposta diz que precisaríamos mais do que um planeta, se todos a população mundial tivesse o mesmo estilo de vida. Mas o que isso quer dizer?
Que existem pessoas no mundo que estão utilizando menos que um planeta para sobreviver. Pode ser por opção, ou pois não possuem renda suficiente para viverem dessa forma. Com isso, temos essas pegadas maiores que um planeta.
Outra forma de ver os resultados (grande maioria) é a partir de número de hectares globais necessários para sustentar o estilo de vida de uma pessoa. Nesse caso, fica mais fácil de ver a discrepância entre países ricos e pobres. Os países com maiores pegadas ecológicas a partir do número de hectares globais são: Emirados Árabes Unidos (10,8 gha); Qatar (10,51 gha); Dinamarca (8,26 gha); Estados Unidos (8,0 gha). Isso quer dizer que eles estão consumindo mais do que deveriam. Segundo o relatório Ecological Footprint Atlas 2010, o planeta possui 2,7 gha como média. O necessário para manter a sustentabilidade na Terra é de 1,78.
O último post que fizemos sobre a profissão de Biólogo,
foi focado na área da Ciência, onde vocês viram um pouco como é a realidade
dessa parte da Biologia.
Hoje falaremos de outra parte da Biologia que muitos
desconhecem, mas que ultimamente vem sendo procurada por muitos biólogos
recém-formados. A prestação de serviços é a área onde poucos dos biólogos que
se formam seguem, pois falta conhecimento sobre o assunto e por que muitas
vezes não temos capacidade de pensar que podemos vender nosso produto ou
serviço.
Abaixo eu elenquei alguns fatores que podem contribuir pra
isso:
Grade da faculdade:
Esse é o principal. Eu não sei o de vocês, mas onde eu fiz a faculdade (UEM), o
foco é formar biólogos para lecionar ou entrar na vida acadêmica. Nada contra
as matérias. Elas são ótimas na nossa formação. Mas a grade também deveria
focar em matérias como elaboração de projetos ambientais, empreendedorismo e
função do CRBio.
Cultura do biólogo:
Tem muita gente que simplesmente adora ficar no meio do mato, coletar e ficar
vendo bicho o dia todo e por isso quando o assunto é se relacionar com pessoas,
acabam se derrapando e nem tentam ir pra consultoria por isso. Muitos dizem que
não gostam de se relacionar com pessoas. Pra mim é desculpa. Você é um
profissional ótimo, como um engenheiro, médico ou advogado. E eles conseguem
clientes, por que simplesmente vão atrás. A graça de prestar um bom serviço é
ver o rosto satisfeito do seu cliente, mesmo que para isso você precise aturar
diversos outros clientes chatos kk. E esqueça, ninguém faz Biologia por amor!
Fazemos esse curso pois é o que sentimos maior afinidade e onde temos certeza
que realizaremos um trabalho formidável. Esse trabalho formidável resultará em
dinheiro pra você!
Concorrência:
Além de concorrermos com nós mesmos, a gente concorre com profissionais que
cada vez mais acabam se “apropriando” de serviços que biólogos são competentes
o bastante para fazer. Engenheiros ambientais, florestais, agrônomos e
geólogos, estão cada vez mais realizando projetos que nós temos capacidade de
realizar.
Atualmente o CFBio nos gabarita a realizar mais de 30 tipos
de serviços que estão incluídos na área de biotecnologia, análises clínicas e
meio ambiente. Imagina só. São 30 tipos! É muita coisa. E por que não estamos
lá? Por que muitos de nós preferem uma bolsa de mestrado ou doutorado, ao de
tentar entrar nessa área! Muito potencial perdido.
Abaixo vou elencar os principais serviços que um biólogo
pode realizar e eu conheço alguns companheiros de profissão que estão ganhando
muito dinheiro com isso.
Levantamento
Faunístico e Florístico:
Esse tipo de serviço pode participar de diversos Projetos
ambientais, como EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental). Esse é o serviço onde
encontra-se a grande maioria de biólogos. Ele se consiste em avaliar,
qualificar e quantificar as espécies encontradas em um determinado local. Na
maioria das vezes esse local será transformado em um empreendimento e por isso
existe uma grande responsabilidade na elaboração desses projetos. Geralmente
para projetos maiores, contrata-se biólogos especialistas em algumas áreas,
como entomologistas, mastologistas ou herpetologistas, por exemplo. O grande
barato desse serviço é que você mantem muito contato com a natureza! Os valores
pagos por esse serviço variam muito. Tudo depende da complexidade do trabalho e
o local que está sendo feito.
Gerenciamento de
resíduos:
Essa é uma área que poucos biólogos trabalham. Se consiste
em encontrar ferramentas e desenvolver ações necessárias para toda a logística
que o resíduo produzido pode ter. Ela se compreende desde separação do lixo, na
fonte de geração (cliente) até a destinação correta desse resíduo (coletoras de
resíduos sólidos). Infelizmente são poucos cursos que possuem matérias
relacionadas a essa área. Essa área é a que eu mais me identifico, pois durante
a graduação tive a oportunidade de realizar um estágio em uma empresa de
consultoria ambiental, que seu principal foco era o gerenciamento dos resíduos
gerados por seus clientes. Do ponto de vista de trabalho, essa atividade requer
maior contato com seus clientes, idas semanais às empresas que os contrataram e
aplicação de treinamentos quando necessário. Apesar de encontrarmos mais
Engenheiros ambientais trabalhando com essa área, é permitido para que o
biólogo realize os Planos de gerenciamento de resíduos (PGRs).
Gestão ambiental:
Aqui é uma área onde a concorrência até com administradores,
advogados e engenheiros está presente. Devido a grande oferta de cursos de
Gestão ambiental, seja como graduação ou pós-graduação, a presença desse
profissional no mercado de trabalho é alta. Com a pressão dos órgãos ambientais
e da sociedade sobre práticas que podem causar algum dano ao meio ambiente, a
necessidade desse profissional aumentou. O trabalho de um gestor ambiental, foca na
relação do processo produtivo e administrativo da empresa em relação ao meio
ambiente. Ele pode atuar em uma auditoria ambiental, ou na implantação de um
Selo ISO 14001, que nada mais é do que um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) que
focará em como o processo produtivo da empresa pode influenciar aspectos
ambientais e tentará mitigar possíveis impactos que a atividade da empresa
possa ocasionar. Esse é um projeto muito legal, pois as empresas necessitam que
todos os funcionários empreguem em suas atividades práticas que garantirão a
obtenção do Selo ISSO 14001. Os biólogos que trabalham nessa área ainda podem
administrar os processos de licenciamento ambiental que alguma atividade da
empresa possa necessitar. Essa área é uma das que melhor remunera o biólogo. No
entanto, é uma das mais concorrentes.
Ok Douglas! Já vi que
tem muita coisa para poder trabalhar, caso eu não queira seguir a vida
acadêmica e nem lecionar. Mas hoje! O que eu preciso para entrar nessa área?
Bem, se você está na graduação, procure algum estágio! Seja
em empresa de consultoria ou até mesmo uma empresa júnior.
Se você já se formou, primeiro tire o seu CRBio, após isso comece a
frequentar eventos da área e comece a fazer contatos. Os QIs (Quem te indica
kk) sempre me ajudaram e sempre vão me ajudar! Não será diferente com você. Por
mais que você tenha muita competência no seu trabalho, você só será conhecido
se divulgar quem você é!
Lembrando que eu elenquei as principais áreas que os biólogos são mais encontrados! Hoje nós encontramos biólogos em programas de TV, sendo youtubers e blogueiros kkk!
Obrigado por lerem o post! Por favor Curtam o BioBlogg!
Os padrões encontrados atualmente na distribuição das
espécies no globo, são influenciadas por fatores abióticos e bióticos. Um fator
importante é a dispersão. Ela ajuda a determinar processos de expansão de
locais onde algumas espécies são encontradas. Existem muitas formas variadas de
dispersão, onde algumas espécies vegetais e animais foram desenvolvendo
técnicas para aumentar a efetividade da dispersão em vários anos de evolução.
A dispersão pode ser influenciada pela biologia do indivíduo
analisado, por barreiras geográficas e por eventos aleatórios. Muitas vezes, os
anos de evolução da espécie, focaram seus caracteres biológicos para otimizar
as capacidades de dispersão (por exemplo, frutos que podem ser consumidos por
animais e suas sementes serem distribuídas por aves que
possuem alta capacidade dispersiva pois podem voar). No entanto, barreiras
geográficas muitas vezes impedem que algumas espécies alcancem locais que são
favoráveis para sua sobrevivência. Ocasionalmente, alguns eventos aleatórios
podem acontecer, como bancos de macrófitas que descem rios, levando consigo
diversos invertebrados, protistas e bactérias que podem chegar a novos locais.
Abaixo vão alguns exemplos curiosos de quanto algumas
espécies se especializaram para alcançar novos locais.
Besouros carabídeos
Esse primeiro exemplo mostra como as diferenças entre
características biológicas podem ser decisivas para aumentar as capacidades de
dispersão de diversos seres vivos. Alguns pesquisadores espanhóis estudaram a
distancia ocupada por várias espécies de besouros carabídeos da península
Ibérica. Eles analisaram vários dados. Mas um deles nos ajudaram a entender o
motivo de algumas espécies se dispersarem mais do que outras. Neste estudo,
dois tipos de besouros foram comparados.
Besouros de asas longas e besouros de asas curtas. Adivinha qual deles
se dispersavam mais? Acertou quem chutou nos besouros de asas longas. Segundo
os pesquisadores, o efeito do habitat é importante para explicar tal padrão. Locais
que proporcionam habitats mais estabilizados, são mais habitados por animais de
asas curtas, pois não precisam se deslocar para locais mais longínquos para
encontrar habitats ótimos. Já para os besouros de de asas longas, habitats que
sofrem com muitos distúrbios (como fogo ou inundações) são mais habitados por
animais que possuem alta capacidade dispersiva, pois conseguem procurar locais
mais adequados para sobrevivência, quando a região estiver sofrendo algum tipo
de distúrbio.
Tartarugas gigantes de Galápagos
Quando fala-se de Galápagos, já lembra-se desse conjunto de
ilhas mágicas que foi base de estudos para alcançar vários avanços na Biologia.
Esse arquipélago possui diversas espécies incomuns e muitas delas endêmicas
dali. Um grupo delas são às tartarugas gigantes de Galápagos. Atualmente é
encontrada somente uma espécie (Chelonoidis
nigra) que é dividida em diversas subespécies. Quando se observa essas
tartarugas, a questão dá origem ainda é uma incógnita. Essa dúvida paira até hoje. É
sabido de que elas derivam de um ancestral que era originário da América do
Sul. Mas como elas atravessaram mais de 1000 Km de oceano, para alcançar esses
arquipélagos? Alguns pesquisadores afirmam que elas podem ter sido trazidos por
humanos (principalmente piratas, que as usavam como alimento, pois aguentavam
grandes períodos sem se alimentar ou ingerir água). Mas atualmente a hipótese
mais aceita é a de que elas vieram boiando da América do Sul até Galápagos.
Isso mesmo! Mas como? Bom, a hipótese se sustenta que essas espécies apesar do
grande tamanho, conseguem boiar muito bem na água. Além disso elas possuem um
pescoço longo que facilita a sua respiração sobre a água. Outros dois fatores
que podem ter auxiliado elas, foi a alta capacidade em sobreviver longos
períodos sem se alimentar ou ingerir água e ainda a corrente marítima de
Humboldt, que passa pela costa da América do Sul e no Equador vira-se em
direção às ilhas. Com a chegada dos europeus a partir do século XVI, elas
sofreram muito com o consumo da sua carne e com a competição com espécies
introduzidas pelo homem. Atualmente
existem programas que focam na recolonização dessas tartarugas nas ilhas
do arquipélago.
Algas cosmopolitas
Muitas algas do mesmo gênero ou às vezes da mesma espécie,
são encontradas em várias partes do mundo. A pergunta é como essas espécies
microscópicas, conseguem se dispersar e alcançar locais tão distintos do globo?
Essas criaturas utilizam outros animais para alcançar novos locais. Aves que vão até locais alagados ou rios
(principal habitat de várias algas) para se alimentar, acabam ficando com algas
presas em suas penas ou pernas e com isso, quando se deslocam para outros
locais elas acabam levando as algas. Quando alcançam novos locais alagados,
essas algas começam a se desenvolver e alcançar populações grandes o bastante
para perpetuar a espécie naquele local. Com isso o ciclo recomeça, com uma nova
ave. Dessa forma tais espécies, mesmo sendo pequeninas, conseguem alcançar
diversos pontos do globo.
Aguapés dispersores
Quem já foi pescar conhece o Aguapé (Eichhornia crassipes),
ela é uma macrófita flutuante, nativa da América do Sul. Essa planta pode
alcançar um grande crescimento e formar grandes bancos. Muitas vezes esses
bancos podem se desprender dos locais onde estão estabilizados e seguirem o
fluxo de algum curso d’água. Nesse momento ela pode ser um agente dispersor
para sua própria espécie e para diversos organismos que estão habitando suas
folhas ou raízes. Quando esse banco chega a um novo local, poderá começar a se
estabelecer e manter uma população e ainda introduzirá diversas espécies de
microrganismos, vertebrados e até invertebrados que chegaram com elas a esse
novo local. O vídeo abaixo mostra um pouco disso. Apesar da velocidade da água
ser grande, os “caronistas” que conseguirem sobreviver a viagem, poderão se
desenvolver num novo local.
Plantas
Talvez esses organismos, são os que mais chamem atenção,
quando o assunto é dispersão. Pois, apesar de serem seres sésseis, ainda assim
conseguem dispersar sua prole para diversos locais. Existem vários exemplos,
algumas plantas, utilizam o vento como as sementes de Cedro (Cedrela fissilis) que possuem um formato
de sâmaras e quando são liberados por seus frutos do alto das copas, acabam
caindo de forma vagarosa. O mais curioso dessa dispersão é a forma que as
sementes “caiem”. O formato da semente e o material leve que ela é formado, dão
a combinação perfeita para ela cair “girando” em torno de seu próprio eixo.
Esse “giro” faz com que as sementes permaneçam mais tempo no ar e consigam
alcançar locais mais distante do que sua origem. Diversas árvores de grande
porte possuem essa estratégia de dispersão.
Ainda existem plantas que se dispersam utilizando animais
como vetores (zoocoria). Geralmente são plantas com frutos carnosos e que
possuem muita polpa. Os animais se alimentam desses frutos e às vezes ingerem
as sementes contidas nos frutos. Alguns morcegos se alimentam de árvores como o
Figo e vão a outras áreas e lá eles defecam, dispersando as sementes que foram
alimentadas. Essa é uma das dispersões mais conhecidas e utilizadas pelas
plantas.
Referências:
Gutiérrez, D; Menéndez, R.; Patterns in the distribution, abundance and body size of carabid beetles (Coleoptera; Caroboidea) in relation to dispersal ability. Journal of Biogeography. 1997. 24. 903-914.
Caccone, A.; Gentile, G.; Gibbs, J.; Fitts, T.; Snell, H.; Betts, J.; Powell, J. Phylogeography and History of Giant Galápagos Tortoises. Evolution. 56 (10): 2052-2066. 2002
Lester, S.; Ruttenberg, B.; Gaines, S.; Kinlan B.; The relationship between dispersal ability and geographic range size. Ecology Letters, 2007 (10): 745-758.
Wilmé, L.; Waeber, P.; Ganzhorn, J.; Human translocation as an alternative hypothesis to explain the presence of giant tortoises on remote islands in the south-western Indian Ocean. Journal of Biogeography. 2017. 44, 1-7.
Nos últimos meses estive imerso num mundo novo e desafiador para qualquer biólogo.
Em março de 2015 comecei a fazer mestrado em Ecologia de ambientes aquáticos, e entrei num laboratório cuja ênfase de pesquisas são espécies invasoras.
Como eu não havia feito uma boa Iniciação científica tive que começar tudo durante o mestrado. E galera, isso faz muita diferença, se você aproveita a graduação e vai sendo inserido na Ciência, através de bons orientadores e ótimos colegas de laboratório, quando você chega na pós-graduação (mestrado ou doutorado) já está muito ambientado com o clima dessa profissão. E palavras como hipótese, predição e objetivo do trabalho, não trarão tantas dúvidas para vocês.
Estou no final dessa caminhada (até março eu devo defender minha dissertação), e minha percepção é a de que eu não nasci para ser cientista. Isso mesmo. Não nasci. Minha pira é trabalhar com consultoria ambiental, resolver problemas para as pessoas e empresas e principalmente tentar ajudar o meio ambiente dessa forma. Mas Douglas, o que houve para você não querer seguir nessa área?
São duas coisas: paixão e paciência. Infelizmente eu não tenho a paixão necessária para desvendar padrões da natureza. Era só curiosidade. Como eu disse minha paixão é ajudar o meio ambiente trabalhando com as pessoas, mudando a concepção delas de como devemos lidar com o meio ambiente. A Ciência precisa de amor, dedicação, muita criatividade para ser desempenhada de forma ética e eficaz para toda a sociedade. A paciência que eu havia comentado, é sobre o quão demorado é para alcançar alguns resultados. É uma das profissões mais desgastantes a respeito disso. Em algumas áreas o cientista pesquisa em toda sua vida profissional para chegar em alguma informação que a comunidade científica vá aceitar. Eu gosto dos resultados mais rápidos.
Para ajudar vários graduandos do Brasil abaixo elenquei algumas competências e características que o Cientista deve ter.
- Determinação:
É meio que apertar a mesma tecla, por que em todas as profissões você precisa disso, mas nessa profissão, os obstáculos que você terá na carreira até a chegar um nível alto de publicações (por exemplo revistas A1) são muito grandes. Nesse caminho o cientista pode desanimar, não querer evoluir mais a sua escrita e a elaboração de suas hipóteses. Por isso a determinação é de grande importância.
- Foco:
Foco é você se manter no trilho do seu objetivo sem deixar que coisas externas alterem seu percurso. Estou salientando isso, pois no Brasil a carreira de "Pesquisador" é muito escassa. Pois o que fomenta a ciência aqui, são as universidades. Essas instituições necessitam de professores. Então para você fazer ciência, deve passar num concurso para ser professor dessas universidades. Infelizmente, você não apenas ganhará a oportunidade de fazer ciência, mas terá que dar aulas (preparar elas, corrigir provas) e terá que ocupar alguns cargos administrativos dentro da universidade (essa é a parte que mais toma tempo), por isso muito foco, pois do contrário os artigos não sairão.
- Curiosidade:
Um ótimo cientista deve ter muita curiosidade. Pois só a partir dela ele tentará testar novas hipóteses e aumentará a informação sobre o assunto estudado. Infelizmente alguns profissionais com o tempo, vão perdendo isso ou simplesmente acham que a área não tem mais pra onde crescer. Não caiam nessa armadilha.
- Humildade:
O meu orientador é um cientista renomado da área de Biologia da Invasão (nacional e internacionalmente), ele fez uma coisa que me deixou espantado. Recentemente entraram duas ICs (alunas de iniciação científica no laboratório) e ele propôs as ideias para os trabalhos delas. Até aí muitos orientadores chegam. Ele foi humilde o bastante para parar o que estava fazendo e sentou com as duas ICs e com nossa ajuda (mestrandos) no laboratório, discutimos tudo que poderia dar certo e errado no trabalho, metodologias, hipóteses e tudo mais (por mais de duas horas). Eu achei a atitude dele muito humilde. E simplesmente ele fez isso, por que ama o que faz. Apesar de eu não seguir na profissão dele, aprendi muitos valores de profissionalismo com ele.
- Inglês:
Sim cara. Só o verbo "to be" não irá te ajudar nessa. A ciência é feita no mundo todo. E para unificar a linguagem entre os cientistas de vários países a língua base é o Inglês. Se você quer ser um ótimo cientista deverá fazer um bom curso de Inglês. Acreditem ou não, isso abrirá portas.
No tempo que eu fiquei no laboratório meu orientador e meus colegas de lab, me indicaram a leitura desses dois livros para te inserirem na Ciência:
- Cartas a um Jovem Cientista - Edward Wilson;
- O Canto do Dodô - David Quammen
Recomendo muito a leitura deles.
Como eu disse essa profissão é desafiadora e gratificante, no entanto é necessário amor e determinação para produzir Ciência de verdade.
Todo mundo em alguma fase da vida, teve oportunidades de falar em público. Muitas pessoas detestam isso e não aproveitam a chance de expor suas ideias.
Falar em público é uma das ações mais antigas da humanidade, mas mesmo com isso, muita gente tem medo de se expor. Expor suas ideias, pode abrir novas oportunidades. Mas você deve estar pensando "Como isso vai me ajudar a ser um biólogo melhor?"
Em nossa profissão, temos várias situações que necessitamos falar em público. Muitos biólogos se inserem na licenciatura, e pelo resto da sua vida profissional, eles terão que proferir suas ideias para diversos alunos.
Outa ocasião é quando o biólogo vai trabalhar com a área acadêmica, e em algum momento deve mostrar seus resultados (seja para a própria comunidade acadêmica ou para a sociedade). Ultimamente a quantidade de biólogos que participam de audiências públicas para a discussão de algum EIA/RIMA (Estudo de impacto Ambiental/ Relatório de Impacto Ambiental), é enorme e para tal finalidade se deve falar bem em público.
Abaixo vão algumas dicas de como se preparar para esses momentos e qual deve ser a postura durante uma palestra ou até uma aula:
1 - Entusiasmo: Para quem você mais dá atenção em uma conversa? Alguém que está muito interessado em te falar alguma coisa ou alguém que está indiferente ao assunto e não está interessado? Para falar em público, é a mesma coisa. Se você se mostrar empolgado e interessado em passar sua ideia as pessoas te darão mais atenção e a probabilidade que eles entendam o que está sendo proferido será maior. Lembre-se de pensar que o assunto apresentado é o mais importante do mundo para você (mesmo não sendo).
2 - Preparação: Certifique-se de treinar ao menos três vezes a apresentação, Com o treino, a possibilidade de você errar nas apresentações será menor. Para professores isso, é menos possível, pois o número de aulas o impede de treinar para tantas aulas. Mas com o tempo, a apresentação e as ideias acabam fluindo naturalmente. E para cada tipo de público há uma preparação.
3 - Autoconfiança: Essa é a principal característica que alguém que fala em público necessita. É nessa parte que muitos não buscam falar em público. Acham que vão errar, e se importam muito com o que os outros vão pensar. A primeira coisa a se fazer é mentalizar, que você se preparou o bastante para falar sobre determinado assunto e que isso confere uma garantia sobre a veracidade do que você falará. Não se importe se é seu professor, orientador, um juiz ou até o Presidente da república. Se você tem confiança, tudo dará certo. A autoconfiança pode ser transmitida para seus espectadores e a partir desse momento, eles começarão a prestar atenção no que está sendo falado.
4 - Imprevistos: Fique tranquilo eles sempre aparecerão. Só não deixe que isso influencie sua confiança. Muitas vezes, o data-show não quer funcionar (isso já aconteceu comigo), ou alguém irá se atrasar. Nesses momentos não fique nervoso. Apenas apresente de alguma forma.