quinta-feira, 23 de março de 2017

Profissão Biólogo - Prestador de serviços

O último post que fizemos sobre a profissão de Biólogo, foi focado na área da Ciência, onde vocês viram um pouco como é a realidade dessa parte da Biologia.


Hoje falaremos de outra parte da Biologia que muitos desconhecem, mas que ultimamente vem sendo procurada por muitos biólogos recém-formados. A prestação de serviços é a área onde poucos dos biólogos que se formam seguem, pois falta conhecimento sobre o assunto e por que muitas vezes não temos capacidade de pensar que podemos vender nosso produto ou serviço.

Abaixo eu elenquei alguns fatores que podem contribuir pra isso:

Grade da faculdade: Esse é o principal. Eu não sei o de vocês, mas onde eu fiz a faculdade (UEM), o foco é formar biólogos para lecionar ou entrar na vida acadêmica. Nada contra as matérias. Elas são ótimas na nossa formação. Mas a grade também deveria focar em matérias como elaboração de projetos ambientais, empreendedorismo e função do CRBio.

Cultura do biólogo: Tem muita gente que simplesmente adora ficar no meio do mato, coletar e ficar vendo bicho o dia todo e por isso quando o assunto é se relacionar com pessoas, acabam se derrapando e nem tentam ir pra consultoria por isso. Muitos dizem que não gostam de se relacionar com pessoas. Pra mim é desculpa. Você é um profissional ótimo, como um engenheiro, médico ou advogado. E eles conseguem clientes, por que simplesmente vão atrás. A graça de prestar um bom serviço é ver o rosto satisfeito do seu cliente, mesmo que para isso você precise aturar diversos outros clientes chatos kk. E esqueça, ninguém faz Biologia por amor! Fazemos esse curso pois é o que sentimos maior afinidade e onde temos certeza que realizaremos um trabalho formidável. Esse trabalho formidável resultará em dinheiro pra você!

Concorrência: Além de concorrermos com nós mesmos, a gente concorre com profissionais que cada vez mais acabam se “apropriando” de serviços que biólogos são competentes o bastante para fazer. Engenheiros ambientais, florestais, agrônomos e geólogos, estão cada vez mais realizando projetos que nós temos capacidade de realizar.

Atualmente o CFBio nos gabarita a realizar mais de 30 tipos de serviços que estão incluídos na área de biotecnologia, análises clínicas e meio ambiente. Imagina só. São 30 tipos! É muita coisa. E por que não estamos lá? Por que muitos de nós preferem uma bolsa de mestrado ou doutorado, ao de tentar entrar nessa área! Muito potencial perdido.

Abaixo vou elencar os principais serviços que um biólogo pode realizar e eu conheço alguns companheiros de profissão que estão ganhando muito dinheiro com isso.

                                                                                    Levantamento Faunístico e Florístico:
Esse tipo de serviço pode participar de diversos Projetos ambientais, como EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental). Esse é o serviço onde encontra-se a grande maioria de biólogos. Ele se consiste em avaliar, qualificar e quantificar as espécies encontradas em um determinado local. Na maioria das vezes esse local será transformado em um empreendimento e por isso existe uma grande responsabilidade na elaboração desses projetos. Geralmente para projetos maiores, contrata-se biólogos especialistas em algumas áreas, como entomologistas, mastologistas ou herpetologistas, por exemplo. O grande barato desse serviço é que você mantem muito contato com a natureza! Os valores pagos por esse serviço variam muito. Tudo depende da complexidade do trabalho e o local que está sendo feito.


Gerenciamento de resíduos:
Essa é uma área que poucos biólogos trabalham. Se consiste em encontrar ferramentas e desenvolver ações necessárias para toda a logística que o resíduo produzido pode ter. Ela se compreende desde separação do lixo, na fonte de geração (cliente) até a destinação correta desse resíduo (coletoras de resíduos sólidos). Infelizmente são poucos cursos que possuem matérias relacionadas a essa área. Essa área é a que eu mais me identifico, pois durante a graduação tive a oportunidade de realizar um estágio em uma empresa de consultoria ambiental, que seu principal foco era o gerenciamento dos resíduos gerados por seus clientes. Do ponto de vista de trabalho, essa atividade requer maior contato com seus clientes, idas semanais às empresas que os contrataram e aplicação de treinamentos quando necessário. Apesar de encontrarmos mais Engenheiros ambientais trabalhando com essa área, é permitido para que o biólogo realize os Planos de gerenciamento de resíduos (PGRs).

Gestão ambiental:
Aqui é uma área onde a concorrência até com administradores, advogados e engenheiros está presente. Devido a grande oferta de cursos de Gestão ambiental, seja como graduação ou pós-graduação, a presença desse profissional no mercado de trabalho é alta. Com a pressão dos órgãos ambientais e da sociedade sobre práticas que podem causar algum dano ao meio ambiente, a necessidade desse profissional aumentou.  O trabalho de um gestor ambiental, foca na relação do processo produtivo e administrativo da empresa em relação ao meio ambiente. Ele pode atuar em uma auditoria ambiental, ou na implantação de um Selo ISO 14001, que nada mais é do que um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) que focará em como o processo produtivo da empresa pode influenciar aspectos ambientais e tentará mitigar possíveis impactos que a atividade da empresa possa ocasionar. Esse é um projeto muito legal, pois as empresas necessitam que todos os funcionários empreguem em suas atividades práticas que garantirão a obtenção do Selo ISSO 14001. Os biólogos que trabalham nessa área ainda podem administrar os processos de licenciamento ambiental que alguma atividade da empresa possa necessitar. Essa área é uma das que melhor remunera o biólogo. No entanto, é uma das mais concorrentes.


Ok Douglas! Já vi que tem muita coisa para poder trabalhar, caso eu não queira seguir a vida acadêmica e nem lecionar. Mas hoje! O que eu preciso para entrar nessa área?

Bem, se você está na graduação, procure algum estágio! Seja em empresa de consultoria ou até mesmo uma empresa júnior.

Se você já se formou,  primeiro tire o seu CRBio, após isso comece a frequentar eventos da área e comece a fazer contatos. Os QIs (Quem te indica kk) sempre me ajudaram e sempre vão me ajudar! Não será diferente com você. Por mais que você tenha muita competência no seu trabalho, você só será conhecido se divulgar quem você é!

Lembrando que eu elenquei as principais áreas que os biólogos são mais encontrados! Hoje nós encontramos biólogos em programas de TV, sendo youtubers e blogueiros kkk!


Obrigado por lerem o post! Por favor Curtam o BioBlogg!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

#Partiu - Exemplos de Dispersão

Os padrões encontrados atualmente na distribuição das espécies no globo, são influenciadas por fatores abióticos e bióticos. Um fator importante é a dispersão. Ela ajuda a determinar processos de expansão de locais onde algumas espécies são encontradas. Existem muitas formas variadas de dispersão, onde algumas espécies vegetais e animais foram desenvolvendo técnicas para aumentar a efetividade da dispersão em vários anos de evolução.



A dispersão pode ser influenciada pela biologia do indivíduo analisado, por barreiras geográficas e por eventos aleatórios. Muitas vezes, os anos de evolução da espécie, focaram seus caracteres biológicos para otimizar as capacidades de dispersão (por exemplo, frutos que podem ser consumidos por animais e suas sementes serem distribuídas por aves que possuem alta capacidade dispersiva pois podem voar). No entanto, barreiras geográficas muitas vezes impedem que algumas espécies alcancem locais que são favoráveis para sua sobrevivência. Ocasionalmente, alguns eventos aleatórios podem acontecer, como bancos de macrófitas que descem rios, levando consigo diversos invertebrados, protistas e bactérias que podem chegar a novos locais.
Abaixo vão alguns exemplos curiosos de quanto algumas espécies se especializaram para alcançar novos locais.

Besouros carabídeos

Esse primeiro exemplo mostra como as diferenças entre características biológicas podem ser decisivas para aumentar as capacidades de dispersão de diversos seres vivos. Alguns pesquisadores espanhóis estudaram a distancia ocupada por várias espécies de besouros carabídeos da península Ibérica. Eles analisaram vários dados. Mas um deles nos ajudaram a entender o motivo de algumas espécies se dispersarem mais do que outras. Neste estudo, dois tipos de besouros foram comparados.  Besouros de asas longas e besouros de asas curtas. Adivinha qual deles se dispersavam mais? Acertou quem chutou nos besouros de asas longas. Segundo os pesquisadores, o efeito do habitat é importante para explicar tal padrão. Locais que proporcionam habitats mais estabilizados, são mais habitados por animais de asas curtas, pois não precisam se deslocar para locais mais longínquos para encontrar habitats ótimos. Já para os besouros de de asas longas, habitats que sofrem com muitos distúrbios (como fogo ou inundações) são mais habitados por animais que possuem alta capacidade dispersiva, pois conseguem procurar locais mais adequados para sobrevivência, quando a região estiver sofrendo algum tipo de distúrbio.







 Tartarugas gigantes de Galápagos

Quando fala-se de Galápagos, já lembra-se desse conjunto de ilhas mágicas que foi base de estudos para alcançar vários avanços na Biologia. Esse arquipélago possui diversas espécies incomuns e muitas delas endêmicas dali. Um grupo delas são às tartarugas gigantes de Galápagos. Atualmente é encontrada somente uma espécie (Chelonoidis nigra) que é dividida em diversas subespécies. Quando se observa essas tartarugas, a questão dá origem ainda é uma incógnita. Essa dúvida paira até hoje. É sabido de que elas derivam de um ancestral que era originário da América do Sul. Mas como elas atravessaram mais de 1000 Km de oceano, para alcançar esses arquipélagos? Alguns pesquisadores afirmam que elas podem ter sido trazidos por humanos (principalmente piratas, que as usavam como alimento, pois aguentavam grandes períodos sem se alimentar ou ingerir água). Mas atualmente a hipótese mais aceita é a de que elas vieram boiando da América do Sul até Galápagos. Isso mesmo! Mas como? Bom, a hipótese se sustenta que essas espécies apesar do grande tamanho, conseguem boiar muito bem na água. Além disso elas possuem um pescoço longo que facilita a sua respiração sobre a água. Outros dois fatores que podem ter auxiliado elas, foi a alta capacidade em sobreviver longos períodos sem se alimentar ou ingerir água e ainda a corrente marítima de Humboldt, que passa pela costa da América do Sul e no Equador vira-se em direção às ilhas. Com a chegada dos europeus a partir do século XVI, elas sofreram muito com o consumo da sua carne e com a competição com espécies introduzidas pelo homem. Atualmente  existem programas que focam na recolonização dessas tartarugas nas ilhas do arquipélago.
















Algas cosmopolitas

Muitas algas do mesmo gênero ou às vezes da mesma espécie, são encontradas em várias partes do mundo. A pergunta é como essas espécies microscópicas, conseguem se dispersar e alcançar locais tão distintos do globo? Essas criaturas utilizam outros animais para alcançar novos locais.  Aves que vão até locais alagados ou rios (principal habitat de várias algas) para se alimentar, acabam ficando com algas presas em suas penas ou pernas e com isso, quando se deslocam para outros locais elas acabam levando as algas. Quando alcançam novos locais alagados, essas algas começam a se desenvolver e alcançar populações grandes o bastante para perpetuar a espécie naquele local. Com isso o ciclo recomeça, com uma nova ave. Dessa forma tais espécies, mesmo sendo pequeninas, conseguem alcançar diversos pontos do globo.

Aguapés dispersores

Quem já foi pescar conhece o Aguapé (Eichhornia crassipes), ela é uma macrófita flutuante, nativa da América do Sul. Essa planta pode alcançar um grande crescimento e formar grandes bancos. Muitas vezes esses bancos podem se desprender dos locais onde estão estabilizados e seguirem o fluxo de algum curso d’água. Nesse momento ela pode ser um agente dispersor para sua própria espécie e para diversos organismos que estão habitando suas folhas ou raízes. Quando esse banco chega a um novo local, poderá começar a se estabelecer e manter uma população e ainda introduzirá diversas espécies de microrganismos, vertebrados e até invertebrados que chegaram com elas a esse novo local. O vídeo abaixo mostra um pouco disso. Apesar da velocidade da água ser grande, os “caronistas” que conseguirem sobreviver a viagem, poderão se desenvolver num novo local.


Plantas

Talvez esses organismos, são os que mais chamem atenção, quando o assunto é dispersão. Pois, apesar de serem seres sésseis, ainda assim conseguem dispersar sua prole para diversos locais. Existem vários exemplos, algumas plantas, utilizam o vento como as sementes de Cedro (Cedrela fissilis) que possuem um formato de sâmaras e quando são liberados por seus frutos do alto das copas, acabam caindo de forma vagarosa. O mais curioso dessa dispersão é a forma que as sementes “caiem”. O formato da semente e o material leve que ela é formado, dão a combinação perfeita para ela cair “girando” em torno de seu próprio eixo. Esse “giro” faz com que as sementes permaneçam mais tempo no ar e consigam alcançar locais mais distante do que sua origem. Diversas árvores de grande porte possuem essa estratégia de dispersão.
Ainda existem plantas que se dispersam utilizando animais como vetores (zoocoria). Geralmente são plantas com frutos carnosos e que possuem muita polpa. Os animais se alimentam desses frutos e às vezes ingerem as sementes contidas nos frutos. Alguns morcegos se alimentam de árvores como o Figo e vão a outras áreas e lá eles defecam, dispersando as sementes que foram alimentadas. Essa é uma das dispersões mais conhecidas e utilizadas pelas plantas.













Referências: 

Gutiérrez, D; Menéndez, R.; Patterns in the distribution, abundance and body size of carabid beetles (Coleoptera; Caroboidea) in relation to dispersal ability. Journal of Biogeography. 1997. 24. 903-914.

Caccone, A.; Gentile, G.; Gibbs, J.; Fitts, T.; Snell, H.; Betts, J.; Powell, J. Phylogeography and History of Giant Galápagos Tortoises. Evolution. 56 (10): 2052-2066. 2002

Lester, S.; Ruttenberg, B.; Gaines, S.; Kinlan B.; The relationship between dispersal ability and geographic range size. Ecology Letters, 2007 (10): 745-758.

Wilmé, L.; Waeber, P.; Ganzhorn, J.; Human translocation as an alternative hypothesis to explain the presence of giant tortoises on remote islands in the south-western Indian Ocean. Journal of Biogeography. 2017. 44, 1-7.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Profissão Biólogo - Cientista

Nos últimos meses estive imerso num mundo novo e desafiador para qualquer biólogo.


Em março de 2015 comecei a fazer mestrado em Ecologia de ambientes aquáticos, e entrei num laboratório cuja ênfase de pesquisas são espécies invasoras.

Como eu não havia feito uma boa Iniciação científica tive que começar tudo durante o mestrado. E galera, isso faz muita diferença, se você aproveita a graduação e vai sendo inserido na Ciência, através de bons orientadores e ótimos colegas de laboratório, quando você chega na pós-graduação (mestrado ou doutorado) já está muito ambientado com o clima dessa profissão. E palavras como hipótese, predição e objetivo do trabalho, não trarão tantas dúvidas para vocês.


Estou no final dessa caminhada (até março eu devo defender minha dissertação), e minha percepção é a de que eu não nasci para ser cientista. Isso mesmo. Não nasci. Minha pira é trabalhar com consultoria ambiental, resolver problemas para as pessoas e empresas e principalmente tentar ajudar o meio ambiente dessa forma. Mas Douglas, o que houve para você não querer seguir nessa área?

São duas coisas: paixão e paciência. Infelizmente eu não tenho a paixão necessária para desvendar padrões da natureza. Era só curiosidade. Como eu disse minha paixão é ajudar o meio ambiente trabalhando com as pessoas, mudando a concepção delas de como devemos lidar com o meio ambiente. A Ciência precisa de amor, dedicação, muita criatividade para ser desempenhada de forma ética e eficaz para toda a sociedade. A paciência que eu havia comentado, é sobre o quão demorado é para alcançar alguns resultados. É uma das profissões mais desgastantes a respeito disso. Em algumas áreas o cientista pesquisa em toda sua vida profissional para chegar em alguma informação que a comunidade científica vá aceitar. Eu gosto dos resultados mais rápidos.

Para ajudar vários graduandos do Brasil abaixo elenquei algumas competências e características que o Cientista deve ter.

- Determinação:

É meio que apertar a mesma tecla, por que em todas as profissões você precisa disso, mas nessa profissão, os obstáculos que você terá na carreira até a chegar um nível alto de publicações (por exemplo revistas A1) são muito grandes. Nesse caminho o cientista pode desanimar, não querer evoluir mais a sua escrita e a elaboração de suas hipóteses. Por isso a determinação é de grande importância.

- Foco:

Foco é você se manter no trilho do seu objetivo sem deixar que coisas externas alterem seu percurso. Estou salientando isso, pois no Brasil a carreira de "Pesquisador" é muito escassa. Pois o que fomenta a ciência aqui, são as universidades. Essas instituições necessitam de professores. Então para você fazer ciência, deve passar num concurso para ser professor dessas universidades. Infelizmente, você não apenas ganhará a oportunidade de fazer ciência, mas terá que dar aulas (preparar elas, corrigir provas) e terá que ocupar alguns cargos administrativos dentro da universidade (essa é a parte que mais toma tempo), por isso muito foco, pois do contrário os artigos não sairão.









- Curiosidade:

Um ótimo cientista deve ter muita curiosidade. Pois só a partir dela ele tentará testar novas hipóteses e aumentará a informação sobre o assunto estudado. Infelizmente alguns profissionais com o tempo, vão perdendo isso ou simplesmente acham que a área não tem mais pra onde crescer. Não caiam nessa armadilha.

- Humildade:

O meu orientador é um cientista renomado da área de Biologia da Invasão (nacional e internacionalmente), ele fez uma coisa que me deixou espantado. Recentemente entraram duas ICs (alunas de iniciação científica no laboratório) e ele propôs as ideias para os trabalhos delas. Até aí muitos orientadores chegam. Ele foi humilde o bastante para parar o que estava fazendo e sentou com as duas ICs e com nossa ajuda (mestrandos) no laboratório, discutimos tudo que poderia dar certo e errado no trabalho, metodologias, hipóteses e tudo mais (por mais de duas horas). Eu achei a atitude dele muito humilde. E simplesmente ele fez isso, por que ama o que faz. Apesar de eu não seguir na profissão dele, aprendi muitos valores de profissionalismo com ele.

- Inglês:

Sim cara. Só o verbo "to be" não irá te ajudar nessa. A ciência é feita no mundo todo. E para unificar a linguagem entre os cientistas de vários países a língua base é o Inglês. Se você quer ser um ótimo cientista deverá fazer um bom curso de Inglês. Acreditem ou não, isso abrirá portas.


No tempo que eu fiquei no laboratório meu orientador e meus colegas de lab, me indicaram a leitura desses dois livros para te inserirem na Ciência:

- Cartas a um Jovem Cientista - Edward Wilson;
- O Canto do Dodô - David Quammen

Recomendo muito a leitura deles.

Como eu disse essa profissão é desafiadora e gratificante, no entanto é necessário amor e determinação para produzir Ciência de verdade.

domingo, 5 de junho de 2016

Como falar em público?

Todo mundo em alguma fase da vida, teve oportunidades de falar em público. Muitas pessoas detestam isso e não aproveitam a chance de expor suas ideias.









Falar em público é uma das ações mais antigas da humanidade, mas mesmo com isso, muita gente tem medo de se expor. Expor suas ideias, pode abrir novas oportunidades. Mas você deve estar pensando "Como isso vai me ajudar a ser um biólogo melhor?" 

Em nossa profissão, temos várias situações que necessitamos falar em público. Muitos biólogos se inserem na licenciatura, e pelo resto da sua vida profissional, eles terão que proferir suas ideias para diversos alunos. 

Outa ocasião é quando o biólogo vai trabalhar com a área acadêmica, e em algum momento deve mostrar seus resultados (seja para a própria comunidade acadêmica ou para a sociedade). Ultimamente a quantidade de biólogos que participam de audiências públicas para a discussão de algum EIA/RIMA (Estudo de impacto Ambiental/ Relatório de Impacto Ambiental), é enorme e para tal finalidade se deve falar bem em público.

Abaixo vão algumas dicas de como se preparar para esses momentos e qual deve ser a postura durante uma palestra ou até uma aula:

1 - Entusiasmo: Para quem você mais dá atenção em uma conversa? Alguém que está muito interessado em te falar alguma coisa ou alguém que está indiferente ao assunto e não está interessado? Para falar em público, é a mesma coisa. Se você se mostrar empolgado e interessado em passar sua ideia as pessoas te darão mais atenção e a probabilidade que eles entendam o que está sendo proferido será maior. Lembre-se de pensar que o assunto apresentado é o mais importante do mundo para você (mesmo não sendo).

2 - Preparação: Certifique-se de treinar ao menos três vezes a apresentação, Com o treino, a possibilidade de você errar nas apresentações será menor. Para professores isso, é menos possível, pois o número de aulas o impede de treinar para tantas aulas. Mas com o tempo, a apresentação e as ideias acabam fluindo naturalmente. E para cada tipo de público há uma preparação.

3 - Autoconfiança: Essa é a principal característica que alguém que fala em público necessita. É nessa parte que muitos não buscam falar em público. Acham que vão errar, e se importam muito com o que os outros vão pensar. A primeira coisa a se fazer é mentalizar, que você se preparou o bastante para falar sobre determinado assunto e que isso confere uma garantia sobre a veracidade do que você falará. Não se importe se é seu professor, orientador, um juiz ou até o Presidente da república. Se você tem confiança, tudo dará certo. A autoconfiança pode ser transmitida para seus espectadores e a partir desse momento, eles começarão a prestar atenção no que está sendo falado. 

4 - Imprevistos: Fique tranquilo eles sempre aparecerão. Só não deixe que isso influencie sua confiança. Muitas vezes, o data-show não quer funcionar (isso já aconteceu comigo), ou alguém irá se atrasar. Nesses momentos não fique nervoso. Apenas apresente de alguma forma.


Espero que as dicas tenham sido de grande ajuda.

Abaixo está um vídeos sobre o assunto:


















Livro em PDF - Biologia Vegetal - RAVEN


Bom Dia!

Mais um livro em PDF:



Para você que precisa realizar trabalhos com Botânica ou apenas estudar para uma prova kk, ai está um belo livro! Download no link:



https://www.dropbox.com/s/blz1k7cv1bgzat4/Livro%20-%20Biologia%20Vegetal%20-%20Raven.pdf?dl=0

quinta-feira, 2 de junho de 2016

domingo, 29 de maio de 2016

Mimetismo e camuflagem

Já pensou como seriam as interações biológicas se não houvessem formas de dificultar a efetividade dessas interações. Imagine, uma presa que necessita de habilidades para se tornar imperceptível ao seu predador, ou o vice-versa?

Por exemplo, olhe a foto abaixo:


Na foto temos dois insetos tentando se "esconder". Um é o louva-deus (conseguiu ver?), o outro é o bicho-pau. Ambos estão utilizando o ambiente para dificultar que eles sejam encontrados.


Mimetismo e camuflagem são duas formas que os organismos possuem para se assemelhar ao ambiente onde eles estão, ou para se parecerem com algum animal ou planta que lhe darão alguma vantagem. Essas habilidades, são apresentadas após diversas interações existentes entre (competição ou predação), que fizeram com que as duas espécies evoluíssem.


Vamos falar sobre as colorações: Críptica e de advertência.

Para evitar a predação, as presas precisam escolher entre duas estratégias: desenvolver uma aparência camuflada e parecer imóveis ou aperfeiçoar uma coloração forte e que demonstra uma advertência para seus predadores.

Na coloração críptica, além da morfologia, o animal deve alterar também seus hábitos. O bicho-pau da foto acima, apenas não deve ter as cores de gravetos que ele está próximo, como também deve permanecer como tal (Imóvel). Ao contrário ele ficará facilmente perceptível. A coloração críptica é uma característica de animais que são palatáveis.

Já a coloração por advertência ou aposematismo, é uma estratégia mais direta para com o predador. Tais presas, costumam produzir metabólitos secundários que são muito nocivos aos predadores e tentam avisar isso a partir da coloração de advertência. Colorações amareladas ou avermelhadas, induzem aos predadores que tal presa possui alta nocividade e devem ser evitados.

Mas então, por que todas as presas, não são nocivas ou impalatáveis? 

Bem, pense que todas espécies possuem uma quantidade de energia, onde ela deve escolher para o que direcionará ela. Por exemplo, ela pode direcionar para a reprodução e assim, formar uma prole grande, ou pode direcionar para que o animal tenha uma coloração críptica. De acordo com essas escolhas, o animal apresentará morfologia e comportamento distintos.



Mimetismo


Os animais que possuem coloração de advertência, são importantes, pois servem de modelo para outros animais. A partir disso encontramos o mimetismo. O mimetismo nada mais é do que uma estratégia de animais palatáveis se assemelharem com animais impalatáveis, a fim de enganar seus predadores ou ainda o predador se assemelhar com sua presa. Esse tipo de mimetismo se chama mimetismo batesiano.
   

Aranha e formiga (nesse caso a aranha se assemelha a formiga, e utiliza isso para predá-la).




Mosca e abelha (nesse caso a mosca se assemelha a abelha e utiliza isso como uma forma de afugentar seus predadores).


Há um tipo de mimetismo que tem a ver com uma gama de organismos que apresentam o mesmo padrão de coloração. A denominação para essa estratégia é mimetismo mülleriano

O último mimetismo é o reprodutivo e tem a ver com a capacidade de alguns organismos se assemelharem a alguns animais com o fim, de atrair alguns vetores para dispersar sua prole (para animais) ou pólen (para plantas).

                                                              

Orquídea (Ophrys insectifera) possui as flores que se assemelham as fêmeas de uma vespa, onde os machos, tentam copular com a flor e assim, acaba se enchendo de pólen e acaba iniciando a polinização dessa orquídea


O mais interessante é que cada uma dessas estratégias, são conseguidas a partir da interações entre vários predadores-presa em milhares de anos. O importante é que com isso, as espécies conseguem evoluir e apresentar os padrões tão interessantes que encontramos na natureza hoje.




Abaixo um vídeos sobre mimetismo e camuflagem. 

Vídeo do Canal "Eu quero Biologia". Neste vídeo há a apresentação das diversas formas da camuflagem e do mimetismo de forma inteligente e bem humorada.